Em meio a essa persistente e inconveniente pandemia que tomou conta do planeta, é possível perceber a manutenção e a modificação de alguns hábitos no cotidiano das pessoas, o que nem sempre quer dizer boa coisa, já que nem todo mundo tem demonstrado seu bom senso em situações em que, em outros tempos, ele seria certamente mais e melhor utilizado.

Na área da educação, em especial na nossa cidade e região, por exemplo, a rotina e o comportamento de alunos e de professores de língua inglesa têm criado um misto de letargia e de rebeldia, em meio às sugestões (ou imposições) de procedimentos que devem ser seguidos em função da inviabilidade de serem oferecidas aulas presenciais no momento. Resultado: alunos pouco motivados e professores estressados por causa da nova realidade educacional que se estabeleceu, mesmo que temporariamente.

No caso dos professores, a maior queixa se refere à já conhecida burocracia institucional, bem como às dificuldades com o uso quantitativo e qualitativo dos recursos tecnológicos que eles têm à disposição. No caso dos alunos, é quase unânime a ideia de que “a aula não é a mesma” quando ela é feita de forma remota, online. Se para alguns deles “assim é melhor”, para a maioria “ficou ainda mais complicado”.

Se antes da pandemia já era uma odisseia para professores e alunos terem um contato mais próximo e produtivo, imagine agora, dear reader, como está a realidade atual, em meio a toda uma incômoda situação a que chegou a claudicante educação linguística por essas paragens que, exageros à parte, já beira uma catástrofe intelectual há algum tempo. Em outras palavras, com base nos relatos recebidos, no campo do ensino ou aprendizagem da língua inglesa, especialmente no Ensino Fundamental, parece que o que já era ruim conseguiu ficar (muito) pior, com pouquíssima ênfase na pronúncia e ortografia das palavras e frases, mas, por outro lado, aumento dos exercícios de tradução e dos “trabalhinhos” temáticos – uma forma explícita de dar nota ao alunado e fazer de conta que o conteúdo foi ensinado ou revisado, como sugerido por instâncias superiores.

O grande mal que assola o setor linguístico, sabemos, continua: pouco contato com o idioma-alvo, bem como poucas horas dedicadas ao seu efetivo ensino ou aprendizagem, tanto no ambiente virtual quanto na vida real. O que acontece, na verdade, infelizmente, é que, apesar de todas as fontes existentes ao nosso redor (meios de comunicação, redes sociais, aplicativos, livros, músicas, filmes etc.), tudo isso é menosprezado ou utilizado de maneira inapropriada, dando-se enfoque ao material utilizado, e não à capacidade dos aprendizes de demonstrar a sua perspicácia e/ou criatividade com base no que lhes foi apresentado ou supostamente ensinado, for instance.

Ora, quem se dedica ao ensino, estudo ou aprendizagem da língua inglesa (que continua a ser sinônimo de língua estrangeira no Brasil), pelos mais variados motivos, geralmente só o faz de vez em quando, e de improviso. Desta forma, fica realmente difícil melhorar o grau de proficiência tanto de professores quanto de alunos. Para dizer o óbvio, tal realidade se compara à do atleta amador que, sem tempo para treinar adequadamente ou sem quem invista no seu talento, jamais será um atleta profissional de alto nível, ganhador de muitas medalhas, famoso e admirado por seus feitos.

No caso dos nossos singelos professores e alunos, se essa tendência comportamental continuar, ambos serão, no máximo, capazes de “entender” a língua inglesa (seja lá o que isso signifique), mas serão incapazes de se comunicar (ao falar ou escrever) de maneira convincente através dela – o que, let’s face it, é o que mais importa, não é mesmo?

Fonte | Jerry Mill -Mestre em Estudos de Linguagem (UFMT), presidente da Associação Livre de Cultura Anglo-Americana (ALCAA), membro-fundador da ARL (Academia Rondonopolitana de Letras), associado honorário do Rotary Club de Rondonópolis e autor do livro Inglês de Fachada

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