Caso ocorrido em Nova Mutum, ganhou a mídia nacional nesta sexta-feira (19): um garoto, de três anos, foi internado em um hospital municipal com dores de cabeça e convulsões. Ele tem hidrocefalia. Após algum tempo, passou a apresentar sintomas de Covid-19, e a bisavó (responsável por ele) pediu que fizessem o exame. A unidade de saúde, no entanto, disse que só faria mediante o pagamento de R$250. A idosa precisou ir atrás do dinheiro e, depois que conseguiu pagar, o resultado foi positivo.

Um hospital municipal em Nova Mutum, em Mato Grosso, cobrou de uma família carente o valor de R$ 250 por um teste de covid-19 para um garoto de 3 anos, que pode ter contraído o vírus no próprio hospital. Dominicke, que tem hidrocefalia (acúmulo de líquido no cérebro que, em excesso, aumenta a pressão no crânio e pode causar danos graves), foi abandonado pela mãe biológica e passou a ser criado pela bisavó, a aposentada Ayres Carlos da Costa, 70.

No dia 5 de junho, o garoto deu entrada em uma internação no Hospital Municipal Instituto Santa Rosa com fortes dores de cabeça e convulsões. Após sete dias de internação, Dominicke passou mal.

Começou com uma ronqueira no peito e a ficar sufocado”, conta dona Ayres. “Corri, chamei a enfermeira. Ela levou ele para sugar o catarro do peito.”

O que chamou a atenção da aposentada foi que, ao aspirar o pulmão do garoto, “saía muito sangue, uns 200 ml por vez”.

“Eu perguntei se não podia ser covid-19, e eles disseram que não. Mas como saía muito sangue, eu insisti e eles descartaram novamente”, conta.

“Eu sou analfabeta, vivi a vida toda na roça, mas pelo que eu estava vendo não era coisa boa, era grave. E pedi novamente para fazerem um exame.
Depois de passar o dia no hospital, dona Ayres voltou para casa. O pai do menino, encarregado de passar as noites com ele, ligou dizendo que o hospital autorizava o exame e que o valor era de R$ 250.

“Eu disse que podia fazer o exame, que não tinha dinheiro nem cartão, mas que eu ia arrumar o dinheiro nem que tivesse de pedir na rua”, conta. “Mas não fizeram o exame. Disseram que, enquanto não pagasse, não iam fazer.”

Quando o valor foi pago a uma clínica particular, o exame foi realizado. “E deu positivo”, diz ela com voz embargada. “Desde então, não consegui mais ver o neném.”

A bisavó foi posta em quarentena e o garoto, levado para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá, onde ainda recebe cuidados.

“Eu achei um abuso cobrar pelo exame. Uma falta de respeito com a vida de uma criança. Ele já estava internado, tinha esse direito ao exame. E se ele pegou a covid lá dentro? Me deram 11 horas pra pagar, só que pobre não tem dinheiro na mão assim”, diz Ayres Carlos da Costa, bisavó da criança.

Procurada pelo UOL, a prefeitura de Nova Mutum não respondeu até o fechamento da reportagem. Os esclarecimentos serão incluídos na matéria assim que enviados.
A Prefeitura se manifestou por meio de nota:

Nota à imprensa
Prefeitura de Nova Mutum (MT), 19/06/2020

A Prefeitura de Nova Mutum informa, por intermédio de sua Assessoria de Comunicação que;

Está ciente de toda a situação envolvendo o paciente Dominicke Gabriel da Silva Almeida e que já abriu uma sindicância envolvendo todas as instituições, empresas e profissionais envolvidos em seu atendimento.

A sindicância, já em andamento apura toda a situação, incluindo resultados de exames e condutas de profissionais e instituições envolvidas no atendimento do paciente. A Prefeitura de Nova Mutum informa ainda que até o final desta sexta-feira, 19 de junho de 2020 trará um posicionamento a respeito da situação, visando sempre a transparência frente suas ações e ou de terceiros.

Este prazo se torna necessário por conta das várias vias, públicas e privadas, envolvidas no caso. Apontando ainda os procedimentos adotados ao longo de todo o atendimento do paciente.

Prefeitura de Nova Mutum, 19 de junho de 2020

Fonte | Redação com Uol
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