Com ou sem quarentena e lockdown, o hábito e a rotina da maioria dos alunos brasileiros de inglês continuam inalterados. Ou seja: eles se dedicam pouco ao estudo ou prática do idioma e, quando o fazem, o entretenimento e a diversão são as suas prioridades. E a pergunta que não quer calar é quase sempre a mesma… Como realmente aprender a língua inglesa desta forma?

Longe de mim ser contrário à existência da ludicidade e do prazer no processo de ensino ou aprendizagem de línguas ou de qualquer outra coisa. Ocorre, porém, que a forma desmedida ou aleatória como essa possibilidade educativa é colocada em prática mais atrapalha do que ajuda na efetiva retenção mental daquilo que é o objeto e o objetivo de toda essa operacionalidade intelectual: aprender e colocar em praticar (sem muito mimimi) o que foi aprendido – e não querer apenas se divertir (que é o que comumente acontece).

Não sei se você já percebeu isso, mas, por exemplo, a maioria das pessoas é capaz de passar horas e horas assistindo a vídeos no Youtube, no Facebook ou no Tik Tok, mas somente uma minoria delas tem o hábito de ler as informações disponibilizadas sobre esses mesmos vídeos se elas ultrapassarem uma certa quantidade de linhas, ou um parágrafo. Talvez este não seja o seu caso, dear reader, mas certamente a carapuça serve para alguém que faz parte do seu círculo familiar ou de amizades. Seres estes que acham a leitura de qualquer coisa algo exigente e enfadonho, daí preferirem ver um filme a ler um livro sobre a mesmíssima trama. Ler jornal, então, nem pensar! Que coisa mais esquisita, você não acha?

No caso específico do ensino/aprendizagem de língua inglesa, a relação passiva daqueles que dizem querer aprender o idioma se mostra escancarada na sua preferência por atividades de audição/escuta (música, em especial) e de leitura (para tradução, oh lord!), geralmente silenciosa – mesmo em língua portuguesa! Se eles optassem por se expressar mais e mais constantemente de forma oral e escrita, a tendência é que o seu desempenho pessoal ou coletivo seria cada vez melhor ao falar e ao escrever no idioma de Shakespeare, caso essa seja realmente a intenção, convenhamos.

A propósito, dizem que uma qualidade e um defeito que eu tenho é ser sincero (às vezes, até demais!) com as pessoas. Prova disso é que, quando alguém me diz que não tem dinheiro e nem tempo para se dedicar (mais) à língua inglesa, eu respondo para essa pessoinha que, na verdade, ela não tem o inglês como prioridade em sua vida porque, se assim o fosse, dinheiro e tempo não seriam impedimentos para ela conseguir atingir tal objetivo. Em especial porque existe muito material gratuito dentro e fora da internet ou das salas de aula do mundo real, bem como pessoas (como eu) dispostas a ensinar até mesmo sem remuneração pessoas carentes ou com problemas financeiros momentâneos.

Resolvido esse primeiro possível impedimento, chegamos ao cerne da questão: quem “não tem tempo” não está na verdade é a fim de sacrificar outras atividades ou preferências pessoais para queimar alguns neurônios durante algumas horas que, esse é o pensamento generalizado, bem poderiam ser “melhor aproveitadas” caso fossem passadas jogando conversa fora com a família, com os amigos, em frente da televisão, do computador ou do telefone celular, com programas ou aplicativos tão sedutores quanto viciantes. Confere?

Pois bem! Façamos um exercício matemático agora, então. Perceba que apenas cinco minutos bem aproveitados no período da manhã, da tarde e da noite, dedicando-se a aquilo que efetivamente deve ser feito com o material didático ou paradidático, irão perfazer quinze minutos diários de dedicação ao sonho de ser fluente na English language. Considerando-se que temos sete dias na semana, multiplicados pelos 15 minutos diários, chegamos a 105 minutos, equivalentes a quase duas horas semanais (1 hora e 45 minutos, para ser mais exato), que é a média horária oferecida pelas language schools existentes no mercado. E se fosse contabilizado o mês inteiro? Seriam 30 dias multiplicados por 15 minutos diários, totalizando 450 minutos, ou quase oito horas mensais (7 horas e 50 minutos, para ser mais exato).

Eis (mais) uma prova de que é com pouco que alcançamos muito tanto na escola quanto na vida. Portanto, pense nisso, e tente mudar os seus hábitos pessoais de aprendiz de inglês o quanto antes – para melhor, ofcoursemente…

Fonte | Jerry Mill -Mestre em Estudos de Linguagem (UFMT), presidente da Associação Livre de Cultura Anglo-Americana (ALCAA), membro-fundador da ARL (Academia Rondonopolitana de Letras), associado honorário do Rotary Club de Rondonópolis e autor do livro Inglês de Fachada

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