Desde que estreou no catálogo nacional em março, o longa turco se tornou um dos filmes mais vistos da Netflix no Brasil.

Dirigido por Mehmet Ada ÖztekinMilagre na Cela 7 é um remake do popular filme sul-coreano de 2013, com o mesmo nome (houveram também versões nas Filipinas e na Indonésia). Ele conta a história de Memo (Aras Bulut Iynemli), homem com deficiência intelectual que vive em um vilarejo no interior da Turquia, nos anos 1980. Pai de Ova (Nisa Sofiya Aksongu), ele é acusado injustamente pela morte da filha de um militar, e acaba condenado à morte.

Não é a toa que o filme esteja fazendo sucesso diante de um momento de imensa fragilidade, ele é de chorar e para chorar. Carregado de sentimentalismo, ele ultrapassa um pouco do limite entre um bom drama e o dramalhão de cortar os pulso, usando todos os tipos de clichês.

A injustiça é o grande tema que ronda a trama, desde o tratamento da sociedade diante das dificuldades de Memo até a manipulação dos militares, que na época governavam o país após um golpe político.

Infelizmente, a primeira e a última cena do filme são desnecessárias, servem apenas para criar um contexto para a história ser contada.

A pequena Aksongu se destaca no elenco como a menina que tenta com todas as forças provar a inocência do pai, enfrentar o bullying na escola e entender que ela e Memo possuem a mesma idade mental, aspecto que torna a relação deles mais interessante e unida.

Iynemli também faz um excelente trabalho na construção de seu personagem e graças a sua atuação, o público, assim como os seus companheiros de cela gradativamente e de maneira natural vão se ambientando e o conhecendo.

Assim todos os presos e os responsáveis pela prisão, o público se envolve com o desespero de Memo em rever a filha.

Aliás, a cela 7 está lotada de personagens interessantes, começando por Yusuf Aga (Mesut Akusta), é uma pena que não conseguimos explorar muito sobre ele e os demais presidiários.

Milagre na Cela 7 permite os espectadores refletirem sobre temas sensíveis como a intolerância e a dificuldade em ouvir o outro. Apesar do sofrimento rodeia as situações da narrativa, aos poucos Memo deixa de ser um suposto assassino para se tornar um ser humano para as pessoas com quem ele se relaciona. Ou seja, isolados, eles tiveram tempo de enxergar quem realmente é aquele rapaz. Será que não é algo que se pode tirar nesta quarentena? Mudar nosso olhar sobre nossa própria família, o próximo?

Fonte | Freakpop

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