Peça-chave da Lava Jato, ex-contadora de Youssef é condenada por Moro

O juiz federal Sergio Moro condenou Meire Poza, ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, a dois anos e três meses de prestação de serviços à comunidade pelo crime de lavagem de dinheiro. A sentença foi proferida na sexta-feira (17).

Meire foi acusada pela força-tarefa do MPF (Ministério Público Federal) na Operação Lava Jato de tentar esconder a transferência de quase R$ 2,4 milhões para o ex-deputado federal André Vargas (PT) e seu irmão, o empresário Leon Vargas. O valor, segundo a denúncia, é proveniente de crimes contra a administração pública envolvendo um contrato entre a Caixa Econômica Federal e a IT7 Sistemas, prestadora de serviços de informática. Os irmãos Vargas e Marcelo Simões, sócio da IT7, também foram condenados por lavagem de dinheiro.

A ex-contadora chegou a pedir a Moro perdão judicial e sua absolvição. Ela alegava que, sem sua ajuda, não haveria a Lava Jato. “É induvidoso que a postura colaborativa da peticionária [Meire] e a comprovada imprescindibilidade de sua colaboração para o avanço da operação lhe asseguram a fruição do benefício do perdão judicial”, escreveu ao juiz em fevereiro. Foi a partir de esquemas envolvendo Yousseff que a Lava Jato avançou nas investigações de corrupção envolvendo políticos.

Na sentença, Moro diz que não cabe perdão judicial, mas ressalta que a colaboração de Meire foi de “inegável valia, com a entrega de documentos, relato de fatos e auxílio na interpretação de elementos informativos”. “Não obstante isso, não chegou a ser formalizado acordo de colaboração premiada entre as partes, fruto, aparentemente, de desinteresse recíproco do MPF e da condenada”.

O juiz diz que haveria problemas em reconhecer a colaboração de Meire sem um acordo. “Apesar dessas considerações, não há como não reconhecer, não só a confissão da condenada acima já valorada, mas que ela também prestou informações relevantes sobre o esquema criminoso objeto deste processo e igualmente das atividades ilícitas desenvolvidas por Alberto Youssef, inclusive contribuindo para a apuração do crime que é objeto desta ação penal”.

Inicialmente, Moro havia condenado Meire a cinco anos de prisão em regime semiaberto, mas reduziu a pena em seis meses em função da confissão da contadora. Na sequência, o juiz decidiu diminuir pela metade o período de restrição de liberdade, para dois anos e três meses, em regime aberto, por causa da colaboração à Lava Jato.

Depois, substituiu à prisão por duas penas restritivas de direito por dois anos e três meses. Meire deverá  prestar serviços à comunicado por sete horas por semana, além do pagamento de multa. “A prestação de serviço pelo seu elevado potencial de ressocialização, a prestação pecuniária porque, de certa forma, compensa a sociedade, vítima do crime”. Os benefícios, porém, poderão ser cassados caso se comprove que a contadora tenha mentido.

André Vargas, que já foi sentenciado em outros processos na Lava Jato e cumpre pena em Curitiba, foi condenado a seis anos de prisão, enquanto seu irmão, Leon, recebeu pena de cinco anos. Já Simões foi condenado a cinco anos e quatro meses de reclusão.

Para Leon, Moro determinou cumprimento da pena em regime semiaberto. O ex-deputado e o empresário deverão cumprir suas penas em regime fechado. As penas só começarão a ser cumpridas após análise do processo pela segunda instância, o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região).

Fonte | Uol

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