Confesso que uma das poucas coisas que me tiram do sério, que me fazem sair do meu habitual mar de serenidade, é o que se poderia chamar de má vontade de aprender, tanto na esfera pública quanto no setor privado, locais em que já se generalizou a (condenável) arte da esperteza e do (vergonhoso) jeitinho brasileiro. Eis o paraíso daqueles que querem ser servidos, em vez de (como era de se esperar!) servir…

Entenda assim: no setor público, já tão desacreditado e quase falido, o investimento feito na área da educação/linguagem é quase nulo ou praticamente inexistente/incompetente. Embora dominar/saber mais do que os rudimentos básicos da língua oficial do nosso país seja uma bandeira defendida com esmero por muita gente, nossa triste realidade mostra que ainda estamos muito longe daquele patamar que outrora julgamos ideal para uma nação tão rica como a nossa.

No setor privado, já tão sobrecarregado de impostos para pagar e quase desiludido quanto ao fato de se vale a pena ou não continuar no mercado tão competitivo que existe atualmente, o investimento feito na área da educação/linguagem é igualmente quase nulo ou praticamente inexistente/incompetente. Embora dominar/saber mais do que os rudimentos básicos da língua oficial do nosso país seja uma exigência dos currículos e das entrevistas feitas, a preocupante realidade que se lê/ouve nas mensagens e conversas no dia a dia dessas firmas normalmente mostra um grande contingente de colaboradores despreparados para as atividades que a função lhes incumbe, principalmente quando se trata da interação com os fregueses ou clientes, graças à falta de bagagem/tato no campo linguístico e temas afins.

No caso das línguas estrangeiras (e em especial quando estamos nos referindo ao estudo/uso do inglês), a situação é muito mais preocupante, em especial quando a gente se dá conta dos milhões de pessoas e dos bilhões de reais que são investidos nessa seara (tanto pelos governos quanto pelas empresas) todos os anos no país – com resultados pífios, raramente acima da expectativa mínima estipulada, como mostram as pesquisas que de vez em quando são veiculadas pela Imprensa nacional.

Práticas viciadas como levantamento de preço/licitação, relação custo-benefício e vantagens obtidas/oferecidas parecem contar mais do que os quesitos experiência do profissional e qualidade do ensino oferecido pela instituição. Ou seja: tanto governos quanto empresas estão mais preocupados com o valor unitário/coletivo a ser despendido do que com a qualidade/nível da aprendizagem a ser obtida. Eu mesmo já fui vítima inúmeras vezes de decisões esdrúxulas e ações inexplicáveis tomadas por governantes e empresários locais que, no afã de economizar ou descaradamente beneficiar um ou outro aliado/parceiro comercial, deu preferência a esta ou aquela pessoa ou instituição de ensino. Amazing!

Que fique claro: um governo ou empresa que trata a educação (aqui entendida como ensino de línguas) como mercadoria, como algo que pode ser oferecido de qualquer forma, licitável, cujo preço é mais importante que o seu valor intrínseco, precisa de alguns ajustes na sua gestão, visão ou missão. Precisa reavaliar o seu discurso e as suas práticas cotidianas. Se não, pouca coisa há de mudar para melhor nas próximas décadas na nossa cidade, no nosso estado e no nosso país, infelizmente.

Fonte | Jerry Mill -Mestre em Estudos de Linguagem (UFMT), conselheiro da Associação Livre de Cultura Anglo-Americana (ALCAA), membro-fundador da ARL (Academia Rondonopolitana de Letras), associado honorário do Rotary Club de Rondonópolis e autor da biografia Lamartine da Nóbrega – Uma História Como Nenhuma Outra

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