Meninos que farão 11 meses foram trocados logo após o parto, em Alta Floresta. Ainda abalados com a troca, os pais dizem que ainda não conseguiram se desvencilhar do outro bebê que cuidaram por quase um ano.

A vida de um casal de Alta Floresta, a 800 km de Cuiabá, mudou completamente com a comprovação de que o filho que criavam há quase 11 meses tinha sido trocado na maternidade. Há dois dias, os bebês foram destrocados e estão com as famílias biológicas.

Afonso Souza Vieira, de 30 anos, e Erivânia da Silva Santos, de 24 anos, dizem que a troca foi muito difícil. A troca do bebê deles com outro casal que mora no município ocorreu em maio de 2017 no Hospital Regional de Alta Floresta.

Os exames de DNA comprovaram a troca de bebês. Durante audiência de conciliação, na 3ª Vara Cível do município, as famílias dos meninos concordaram em desfazer a troca.

Afonso Souza Vieira e Erivânia da Silva são pais de um dos bebês que foram trocados em hospital em Alta Floresta (Foto: Arquivo pessoal)

Afonso Souza Vieira e Erivânia da Silva são pais de um dos bebês que foram trocados em hospital em Alta Floresta (Foto: Arquivo pessoal)

O caso parou na Justiça depois que uma das mães suspeitou da troca e fez DNA com material genético dela e da criança da qual ela pensava ser mãe biológica. Ela divulgou uma mensagem numa rede social depois do resultado apontar que ela não era mãe do menino.

Erivânia e Afonso moram no Bairro Cidade Alta, que fica do outro lado da região da cidade onde agora mora o filho que eles acharam que era o deles. Além da saudade, quase 9 km separaram as famílias e os bebês. A outra família vive no Bairro Parque dos Oitis. Uma rodovia divide os dois lados da cidade.

“Não está sendo fácil. Achei que ia superar a ausência dele. Já chorei muito e está me machucando”, disse Afonso.

Ainda abalados com a troca, os pais dizem que ainda não conseguiram se desvencilhar do outro bebê que cuidaram por quase um ano. O cheiro, os traços e a presença da outra criança ainda estão na casa, segundo eles.

“É um amor incondicional. Foram 10 meses com a gente, chorando, beijando e cheirando ele. A ausência não está fácil. Nos apegamos muito no outro bebê. Ainda não tem amor envolvido como tinha no outro”, declarou o pai.

Os pais dizem que eles e o outro casal concordaram em tentar não manter uma convivência, por enquanto, para que as famílias possam se adaptar aos ‘novos’ filhos.

“Vai ser melhor para eles se desvincularem. Amanhã eles completam 11 meses de vida”, afirmou Afonso.

Mãe

Outra personagem que sofre com a destroca é a mãe do bebê, Erivânia, que ainda amamentava o bebê que foi levado.

“Está sendo muito difícil, não tem um minuto que eu não choro. Parece que tiraram um pedaço de mim”, lamentou.

Erivânia da Silva Santos segura o filho biológico após a destroca em Alta Floresta (Foto: Arquivo pessoal)

Erivânia da Silva Santos segura o filho biológico após a destroca em Alta Floresta (Foto: Arquivo pessoal)

Segundo Erivânia, somente nesta quinta-feira (19) a criança veio a chorar. Ela acredita que é o começo da saudade da outra mãe.

“Ele [o bebê que foi trocado] ainda mamava no peito. É muita lembrança. O bebê [filho biológico] é bonzinho, só quer ficar comigo, mas acho que sente saudade dela [da outra mãe]”, comentou Erivânia.

A descoberta

Após o resultado do exame de DNA, a dona de casa Francielli Monteiro Garcia fez um desabafo em uma rede social sobre a possibilidade da troca dos bebês, em fevereiro deste ano.

Na página dela no Facebook, Francielli contou que logo depois de dar à luz, precisou ser levada para o centro cirúrgico devido a complicações no parto. Ela disse não ter visto o rosto do filho logo após o parto.

Na sala ao lado, outra mãe também dava à luz um menino.

Quando retornou para casa, Francielli percebeu no primeiro banho no bebê que o nome que constava na pulseirinha era de outra pessoa e chegou a questionar o hospital, mas foi informada que não havia possibilidade de engano.

Meses depois, em uma visita ao posto de saúde da cidade, Francielli encontrou Erivânia da Silva Santos, que também estava com o filho no colo. Ela disse ter ficado em choque ao reconhecer traços da família dela no bebê que Erivânia carregava.

Os traços eram parecidos com o do marido dela. Durante uma conversa, elas perceberam que os bebês poderiam ter sido trocados na maternidade no dia em que nasceram.

Ela contou que ficou ainda mais angustiada ao perguntar o nome da mulher e reconhecer que era o nome que estava na pulseirinha no filho no dia em que deu o primeiro banho nele.

A partir daí, ela buscou confirmar a suspeita de que as crianças pudessem ter sido trocadas na maternidade. Suspeita que se confirmou após exames de DNA.

Uma das famílias buscou apoio na Defensoria Pública para tentar resolver a situação. A convivência entre as famílias já estava sendo estabelecida por iniciativa das próprias mães.

Fonte | G1

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