O ex-Gerente de Divisão de Fiscalização de Obras da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Sinfra), Ailton Pereira da Silva, irá protocolar na tarde desta sexta-feira (16), na Câmara de Vereadores, um pedido para que a casa apure se foi feito pela Prefeitura de Rondonópolis o pagamento ou não de planilhas de serviços que não teriam sido efetivamente executados pela Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (Coder).

O mesmo pedido também já foi protocolado no Ministério Público Estadual (MPE), no último dia 2 de fevereiro. “Fiz isso, para me resguardar. Pois, verifiquei vários serviços que constavam como executados, mas que não encontrei. Por isso, não atestei e acabei sendo exonerado. Agora, não sei dizer se foram pagos ou não, quem deve apurar isso são os vereadores e o Ministério Público, que recebem para isso. Todas as planilhas dos serviços não executados foram protocolados no Ministério Público e irei agora protocolar na Câmara”, ressaltou Aliton, por telefone.

Ele alega que no passado, quando estava à frente da Divisão de Fiscalização de Obras da Sinfra, foi solicitado pela secretária Nívea Calzolari que fiscalizasse, “às pressas, alguns serviços, já que precisar pagar a Coder para evitar que terceirizados não entrassem em greve”. Entre os serviços que constavam como executados pela empresa de economia mista, mas que não teriam sido encontrados pelo ex-servidor comissionado da prefeitura de Rondonópolis, estão tapa-buracos, aplicação de lama asfáltica e a limpeza de terrenos e vias públicas.

“A secretária (Nívea) apenas me disse que tinha um serviço de fiscalização para fazer. Quem me passou as planilhas dos serviços executados nem foi a secretária, foi a Katiene, a diretora financeira da Coder, lá na prefeitura. Mas este não era um serviço para ser feito em um dia, dois dias… às pressas como queriam, pois precisavam pagar a Coder, para que os terceirizados e caçambeiros dentre outros não entrassem em greve. Ali era serviço para levantar em uma semana ou mais. Ainda mais sem ter uma estrutura mínima para trabalhar, pois eu fazia o trabalho sozinho e ainda arcando com os custos, com meu carro e pagando o combustível”, reclamou.

“Como eu, sem uma equipe, sozinho ia conseguir fazer rápido este trabalho de fiscalização, às pressas como queriam”, questionou Ailton. Citou entre os problemas encontrados na planilha, trabalhos de tapa-buracos não executados ou com o mesmo endereço repetido várias vezes. “Ou ainda, constava lá como feito o tapa-buraco numa rua, chegando lá o buraco estava aberto ainda”.

Ailton disse, ainda, que chegou a comunicar ao prefeito José Carlos do Pátio (SD) sobre os problemas encontrados nas planilhas. “Cheguei a falar com ele uma vez. Olha prefeito tem serviços aqui que não está constando. Ele respondeu que ia chamar a Nívea para ver, aí eu vi que não ia dar em nada e sai enfezado…”, disse Ailton, que é presidente do Conselho de Desenvolvimento do Distrito Salmen (Condisa), acrescentando que não está fazendo a denúncia por “politicagem” “picuinha” ou “com interesses políticos de adversários”, já que é filiado ao Solidariedade, mesmo partido do prefeito. “Quero só me resguardar. Pois se fizeram o pagamento destes serviços não executados, eu não atestei”.

Cautela

Entre os vereadores, o clima é de cautela quanto a denúncia. Eles esperam Ailton protocolar as documentações na Casa  para analisarem o teor e, seguida, decidirem sobre os passos que irão adotar para apuração da denúncia, que, se comprovada, é considerada gravíssima.

Outro lado

A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da Prefeitura. Por meio de nota, o poder emitiu o segundo posicionamento.

Nota da íntegra:

A Secretaria Municipal de Infraestrutura informa que não procede a denúncia e informa que o então funcionário Ailton Pereira da Silva que exercia o cargo em comissão de Gerente de Divisão e Fiscalização de Obras pela Secretaria Municipal de Infraestrutura foi exonerado no mês de novembro de 2017, pois o mesmo não cumpria com sua carga horária, tendo inclusive solicitado para que não “batesse o ponto”, o que foi negado. Diante da situação, o então funcionário ainda teve descontadas as faltas diante do não comparecimento para desempenhar as obrigações da função.

A secretaria ainda informa que todos os documentos então a disposição da Justiça e inclusive os contratos de tapa-buraco e lama asfáltica desempenhados pela pasta. A mesma ainda destaca que não foi encontrada nenhuma irregularidade nas obras.

Cabe ainda salientar que o ex-servidor não é engenheiro e, portanto não procede a informação que foi solicitado ao mesmo para assinar o relatório, pois as medições de obras são atestadas por engenheiros com a ART e portaria de fiscalização.

Fonte | UniversoMT

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