INGLÊS EM CIMA DA HORA

Segundo relatos, há uma tendência natural do ser humano, e em especial do brasileiro, de deixar para fazer alguma coisa de relativa importância quando falta pouco tempo ou prazo – isso quando não a faz em cima da hora. E esse hábito se aplica a (quase) tudo aquilo que envolve a vida pessoal ou profissional do indivíduo.

Quando pensamos no campo da linguagem, e mormente na seara do estudo-aprendizado de idiomas, percebemos que certos hábitos pessoais ou coletivos, mesmo que detectados e minorados, tendem a se manter no inconsciente e nas ações de quem se propõe a aprender um ou mais idiomas. Dentre estes (maus) costumes estão entrar na sala faltando poucos minutos para o início da aula ou simplesmente faltá-la, pois “o conteúdo não é tão importante/difícil” e (se matar de) estudar na véspera ou no dia da prova, porque “não houve tempo para fazer isso antes”.

Provado está que a displicência do aluno é um dos pontos predominantes para a sua não aprendizagem ou seu aprendizado deficitário, ou seja, insuficiente, pois este não dá a ele a certeza de que a informação que ele recebeu se converteu em conhecimento, a ser encontrado em sua memória e utilizado sempre que o aprendiz precisar fazer uso daquela referência.

Nos dias atuais, em que as horas e os dias parecem passar mais rápido, o culto ao time ismoney, infelizmente, ainda não foi assimilado com a clareza que a famosa frase de Benjamin Franklin merece. Quer dizer, não se pode perder tempo com algumas coisas que, sabemos ou pressentimos, não vão nos trazer o resultado almejado, se mantivermos velhos hábitos. Assim sendo, nos dias atuais, percebe-se mais acentuadamente que o tempo se converteu numa moeda mais preciosa que o próprio dinheiro, possível de ser recuperado com relativa facilidade – o que, infelizmente, não acontece com o tempo. Este, uma vez passado, não volta mais.

É por essas (e algumas outras) razões que chama a atenção a tendência de ver as pessoas indiferentes ao fato de gastarem seu tempo e seu dinheiro comprando este produto tão abstrato chamado educação sem estarem preparadas para recebê-lo adequadamente, seja em forma de aulas, exercícios, provas ou certificados. Eis um modo de pensar e de agir que, em última instância, compromete inclusive o crescimento cultural e econômico do nosso eterno país do futuro, e da corrupção.

 

BATATA INGLESA
Reflexões linguísticas
by Jerry Mill

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