Transtorno Disfórico Pré-menstrual leva a irritabilidade, tristeza e descontrole emocional

Entre 2% e 5% das mulheres em idade reprodutiva sofrem de Transtorno Disfórico Pre-menstrual – Alexandre Cassiano / Agência O Globo
Pesquisadores dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) descobriram os mecanismos moleculares que podem estar por trás do Transtorno Disfórico Pré-menstrual (TDPM), menos comum do que a Tensão Pré-menstrual (TPM), mas muito mais grave.

Formalmente reconhecido pela medicina apenas no início dos anos 2000, este tipo de transtorno pode provocar irritabilidade incapacitante, depressão, sentimentos de falta de esperânça, insônia, falta de apetite e outros sintomas que perturbam o dia a dia. A maioria deles é semelhante aos sintomas da TPM, mas mais intensos. O TDPM afeta de 2% a 5% das mulheres em idade reprodutiva nos dias que antecedem a menstruação.

— Nós encontramos um gene suspeito de ter uma expressão desregulada. Isso aumenta a evidência de que o Transtorno Disfórico Pré-menstrual é um distúrbio e uma resposta da célula ao estrogênio e progesterona — diz Peter Schmidt, do Instituto de Saúde Mental e Endocrinologia Comportamental do NIH. — Aprender mais sobre esse complexo genético mantém a esperança de melhorar o tratamento de tais distúrbios do humor.

Expressão do complexo genético que foi encontrada como causa do transtorno – Divulgação

Segundo a pesquisa, esse transtorno é causado por um grupo de genes, presentes nessa pequena fatia de mulheres, que afeta o modo como os hormônios sexuais interagem com outros genes. Os autores publicaram seus resultados nesta terça-feira, na revista “Molecular Psychiatry”.

 — Este é um grande momento para as mulheres, porque demonstra que aquelas afetadas pelo Transtorno Disfórico Pré-menstrual têm uma diferença intrínseca no seu aparelho molecular em resposta aos hormônios sexuais — afirma David Goldman, outro autor da pesquisa.

Os pesquisadores estudaram os glóbulos brancos das mulheres para ver como eles reagem ao estrogênio e à progesterona. As células de mulheres que tinham o Transtorno Disfórico Pré-menstrual expressaram genes de forma diferente daquelas que não tinham o problema.

Houve um grande complexo de genes que pareceu ser a raiz dessa diferença, chamado de ESC/E(Z). Este complexo está envolvido na regulação de como outros genes respondem aos hormônios sexuais, o que poderia explicar por que as mulheres com Transtorno Disfórico Pré-menstrual têm uma sensibilidade tão extrema aos hormônios sexuais.

DIAGNÓSTICO

Para diagnosticar a TDPM, são necessários cinco dos seguintes sintomas, e pelo menos um deles deve ser os de número de 1 a 4:

1. Humor deprimido, sentimentos de falta de esperança ou pensamentos autodepreciativos.

2. Ansiedade acentuada, tensão, sentimentos de estar com os “nervos à flor da pele”.

3. Significativa instabilidade afetiva.

4. Raiva ou irritabilidade persistente e conflitos interpessoais aumentados.

5. Interesse diminuído pelas atividades habituais.

6. Sentimento subjetivo de dificuldade em se concentrar.

7. Letargia, fadiga fácil ou acentuada falta de energia.

8. Alteração acentuada do apetite, excessos alimentares ou avidez por determinados alimentos.

9. Hipersônia ou insônia.

10. Sentimentos subjetivos de descontrole emocional.

11. Outros sintomas físicos, como sensibilidade ou inchaço das mamas, dor de cabeça, dor articular ou muscular, sensação de inchaço geral e ganho de peso.

Fonte | O Globo

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