Campeão mundial de 2014 mantém as esperanças de garantir a liderança do ranking, mas precisa vencer a etapa de Peniche, em Portugal. Mineirinho se classifica, e Filipinho dá adeus ao sonho

sonho do bicampeonato mundial continua vivo para Gabriel Medina. Em uma bateria de vida ou morte pela repescagem em Portugal, o paulista de São Sebastião passou por uma pedreira contra o havaiano Mason Ho, considerado um dos melhores free surfers do mundo. Medina não encontrou os tubos como na estreia e apostou na mescla do surfe de borda com manobras progressivas. A 40 segundos para o fim, acertou um belo aéreo alley oop e freou uma perigosa reação do rival quase no estouro do cronômetro. Com a vitória, o local de Maresias se juntou a Miguel Pupo na terceira fase da penúltima de 11 etapas do Circuito Mundial. Sete brasileiros ainda competem pelo round 2 nas ondas de Supertubos, em Peniche, com transmissão ao vivo do SporTV.com. O único a vencer na estreia foi Miguel Pupo, avançando diretamente à terceira fase.

– As ondas estão muito ruins. Eu não queria surfar esta bateria nestas condições, mas deram o call (chamada) e eu tive de surfar. Mason Ho é muito perigoso, ele pode tirar um 10 ou um 2 em uma onda, nunca se sabe o que ele pode fazer, mas estou feliz por ter avançado – disse Medina à WSL.

Medina manda um aéreo e garante vaga na terceira etapa do Mundial de Surfe de Portugal

Medina manda um aéreo e garante vaga na terceira etapa do Mundial de Surfe de Portugal

Jogo de xadrez contra perigoso wildcard

Representados pela mesma marca, Medina e Mason Ho são velhos conhecidos. Costumam viajar juntos pelo mundo em diversas jornadas no free surf e nutrem uma amizade fora do mar. No entanto, a rivalidade foi posta à prova em uma bateria tensa para Medina. A derrota seria o adeus ao sonho do título. O filho do ex-top Michel Ho e sobrinho do primeiro havaiano campeão mundial, Derek Ho, arrancou aplausos do público ao emendar um belo tubo com manobras, sendo recompensado com um 5.83. Medina se manteve ocupado. Com 3.50 e 4.60, Medina liderava a disputa por 8.10 a 6.33, mas bastava um simples 2.27 para Mason assumir a dianteira em um dia de condições extremas e difíceis.

Em um jogo de xadrez nos últimos minutos de bateria, Medina segurou a prioridade e fez uma marcação cerrada sobre o havaiano. Se Mason remava para um lado, o brasileiro ia atrás, como uma sombra, evitando que o rival garantisse a onda salvadora. A quatro minutos para o estouro do cronômetro, Gabriel usou a preferência de escolha em uma direita, não encontrou o tubo, mas completou a onda com manobras clássicas e verticais, ampliando a sua liderança com o 5.33: 9.93 a 6.33.

Medina pega boa onda na repescagem e consegue um 5.33

Medina pega boa onda na repescagem e consegue um 5.33

Sem se deixar abalar pela pressão, Medina acertou um aéreo alley oop com perfeição a 40 segundos para o fim. O campeão mundial de 2014 recebeu 6.33 e ampliou a vantagem nos instantes finais: 11.66 a 6.33. O havaiano não desistiu, investiu em uma bomba nos últimos 15 segundos, mas não completou nenhuma manobra e ganhou 0.50.

Para continuar sonhando com o caneco desta temporada, Medina precisa vencer a etapa. Um terceiro lugar do líder John John Florence encerra as esperanças do brasileiro, deixando apenas Jordy Smith com chances de erguer o caneco na derradeira parada do Tour, o Pipeline Masters, no Havaí.

Mineirinho, com autoridade, derruba Stuart Kennedy

Adriano de Souza foi o segundo brasileiro a entrar na água para a disputa do round 2. Na terceira bateria, seu rival foi Stuart Kennedy, da Austrália. Mineirinho ficou estudando e tentando aproveitar a melhor oportunidade. Faltando 16 minutos, ainda não tinha pontuado. Mas a experiência falou mais alto e ele tomou a dianteira quando precisava, com um 6.27 e um 6.00. Dessa forma, com 12.27, ele despachou Stu, que fez somente 4.93 (3.00 e 1.93).

Adriano de Souza ganha notas 6,0 e 6,27, derrota Stuart Kennedy e avança para o round 3

Adriano de Souza ganha notas 6,0 e 6,27, derrota Stuart Kennedy e avança para o round 3

Em seguida, Filipe Toledo encarou o italiano Leonardo Fioravanti. O europeu começou bem demais, cravando duas ondas boas e somando 15,34 (8,67 e 6,67). Parecia que o brasileiro não teria forças para superá-lo. Ele até deu uma resposta na sequência com um 7,90, mas não conseguiu uma segunda descida forte e saiu com somatório de 8,40, sendo eliminado de Peniche, em Portugal. Com isso, o brasileiro não tem mais chances de ser campeão do Circuito neste ano, assim como Owen Wright, que perdeu na repescagem para Vasco Ribeiro.

Fioravanti comemorou bastante a vitória sobre Filipinho:

– Significa muito para mim. Mas ainda não acabou. Para mim é sobre ter diversão também, estou na Europa e me sinto bem por isso. A energia que estão me passando é maravilhosa e, quando venço, vejo todos sorrindo. Quando perco, vejo que estão tristes. Então quero surfar por mim e por quem me apoia – d.

Depois da vitória de Fioravanti sobre Toledo, a WSL paralisou as disputas por conta do horário na praia portuguesa. A competição terá nova chamada neste domingo, às 4h45 (de Brasília)

Leonardo Fioravanti recebe nota 8,67 em bateria com Filipe Toledo

Leonardo Fioravanti recebe nota 8,67 em bateria com Filipe Toledo

Confira as baterias da 1ª fase em Portugal:

Baterias da segunda fase (repescagem):

1: Gabriel Medina (BRA) 11.66 x Mason Ho (HAV) 6.33
2: Owen Wright (AUS) 10.17 x Vasco Ribeiro (POR) 11.20
3: Adriano de Souza (BRA) 12.27 x Stuart Kennedy (AUS) 4.93
4: Filipe Toledo (BRA) 8.40 x Leonardo Fioravanti (ITA) 15.34
5: Jadson André (BRA) x Kolohe Andino (EUA)
6: Frederico Morais (POR) x Nat Young (EUA)
7: Adrian Buchan (AUS) x Ezekiel Lau (HAV)
8: Connor O’Leary (AUS) x Ian Gouveia (BRA)
9: Joan Duru (FRA) x Kanoa Igarashi (EUA)
10: Jeremy Flores (FRA) x Italo Ferreira (BRA) 
11: Caio Ibelli (BRA) x Wiggolly Dantas (BRA)
12: Bede Durbidge (AUS) x Conner Coffin (EUA)

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