Gérson Correa Junior é apontado como operador de esquema e está colaborando com investigações

 

O cabo da Polícia Militar, Gerson Luiz Corrêa Júnior, apontado como o principal operador do ‘Sentinela’ – sistema de telecomunicações utilizado para realizar grampos ilegais no Estado -, presta depoimento nesta sexta-feira (20) à Corregedoria-Geral de Justiça de Mato Grosso, do Tribunal de Justiça, no âmbito de um inquérito judicial que apura eventual participação de juízes em casos de ‘barriga de aluguel’. Esta prática consiste na quebra de sigilos telefônicos de pessoas que não são suspeitas de crimes, e que mesmo assim figuram ao lado dos verdadeiros criminosos nos pedidos de autorização de escutas feitos à Justiça.

Um inquérito judicial tramita na Corregedoria do TJ-MT e apura a atuação de dois juízes das comarcas de Cáceres e Sinop (distantes, respectivamente, a 222 km e 501 km de Cuiabá). De acordo com a denúncia que gerou o escândalo, denominado “Grampolândia Pantaneira”, os magistrados foram os responsáveis pelas decisões que autorizaram escutas de políticos, advogados, médicos e outras pessoas que não tinham relação alguma com crimes investigados no Estado.

O cabo Gerson Corrêa Júnior está preso desde o dia 23 de maio de 2017. Ele é acusado de ser o principal operador do ‘Sentinela’, um sistema elaborado e estruturado durante a campanha eleitoral de Mato Grosso em 2014 para espionar adversários políticos do então candidato Pedro Taques (PSDB). O aparato teria recebido aporte de R$ 50 mil do advogado Paulo Taques, primo do governador, que posteriormente se tornaria o Secretário-Chefe da Casa Civil.

Após as eleições de 2014, que levaram a vitória de Pedro Taques ainda no primeiro turno, as escutas ilegais (barriga de aluguel) continuaram e também teriam ocorrido na comarca de Cáceres. Um dos despachos que autorizaram a quebra de sigilos telefônicos foi assinado pelo juiz Jorge Alexandre Martins Ferreira em 3 de março de 2015. A ação investigava possível envolvimento de policiais militares no tráfico internacional de drogas e continha nomes de médicos e da deputada estadual Janaína Riva (PMDB), que não tinham relação com os crimes investigados.

Em outro caso, a quebra de sigilos telefônicos foi autorizada pela juíza Rosângela Zacarkim dos Santos, da comarca de Sinop, no dia 12 de fevereiro de 2015. Os pedidos de interceptação foram feitos pelo promotor de Justiça Luiz Gustavo Mendes de Maios, declarando que a medida era “imprescindível para elucidação da autoria delitiva de crimes de tráfico ilícito de entorpecentes e roubo de veículos”. Dezesseis números com código de área 64,65,66 e 67 foram grampeados e o conteúdo das escutas foi disponibilizado a dois policiais.

Gerson Corrêa também prestou um depoimento à PJC na última segunda-feira (16) no que seria um dos últimos atos da Policia Civil de Mato Grosso acerca das interceptações, uma vez que o Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Mauro Campbell Marques, “avocou” (reivindicou) os autos da investigação no último dia 11 de outubro. Corrêa confirmou a existência da central clandestina de inteligência da polícia, e disse que o idealizador da iniciativa foi Paulo Taques. Ele também teria citado a juíza Selma Arruda em seu depoimento, porém, a magistrada não faz parte deste inquérito da Corregedoria do TJ-MT.

Segundo ele, Selma teria auxiliado numa “história de cobertura” para justificar grampos nos telefones do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e do ex-deputado José Riva.

 

Fonte | FolhaMax.com.br -20/10/2017

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